LEMBRANÇAS QUE FICARAM

                                          (Continuação)

  Aumente o som:  "É fim de Noite"

 

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Querido   Diário

                     Sexta-feira, 08 de agosto de 2008.

                Hoje eu chorei copiosamente. Assim como aconteceu no último carnaval. Veio em borbotões. Foi durante a abertura dos jogos olímpicos, na China. De repente, me lembrei de como a Sueli gostava desses acontecimentos. Não que os entendesse completamente, mas gostava das cores, das apresentações, das músicas. E comecei a ouvir, mentalmente, seus comentários singelos sobre a festa, de como estava bonito, do trabalho que tiveram para fazer tudo aqui, etc. E chorei. 

               

 

                      Têrça-feira, 07 de outubro de 2008.

                  Chove muito. As coisas continuam a acontecer sem que haja nisso qualquer interesse de minha parte. A tristeza é constante e disfarço diante de outras pessoas. Sueli continua me olhando de dentro do vidro da estante e fico pensando como é possível que eu ainda resista vivo, a essa dor.

                   Tudo que eu gostaria de comentar com ela, não posso comentar com ninguém. Nosso modo especial de conversar, usando termos que só nós entendíamos, não pode mais ser praticado. Uma vez acordei com ela me dizendo: "estão atacando os Estados Unidos" - levantei e vi na TV os aviões colidindo contras as torres. Mas, há tanta coisa que por nós passou que fica difícil separar apenas uma ou duas. É uma vida inteira de diálogo, de troca de opiniões. Troquei a porta da cozinha, de ferro, por outra, de madeira, e fico pensando em como dizer isso a ela... é um sentimento estranho, diferente, que não consigo explicar.  

                 

 

   Sábado, 01 de novembro de 2008.

                Mais um fim de semana, quando fico isolado em minha tristeza, me agarrando à distração do computador e tentando não pensar na falta que ela me faz. Há uma enorme necessidade de falar com ela nesses momentos. Nem que fosse apenas um comentá  rio tolo, vazio, mas seria dirigido a ela.

                 Para piorar, o tempo está feio, com chuviscos ocasionais, o que torna essa tarde cinzenta e pesada. Ver sua foto e você sorrindo é meu pior castigo. Não ter você por perto ou mesmo lá na área de serviço, bordando, costurando, tentando enganar o tempo é doloroso.

                Não imaginei que uma vida que tive, tão cheia de aventuras, fosse se tornar tão insípida e sem atrativo algum. Coloquei como música de fundo a canção do velho Luiz Vieira, "Luz do meu amor" e ela só faz piorar minha tristeza, embora encha de beleza essa página. Nada me consola.

                 Felizmente, não tive participação negativa na sua doença. Não tive culpa nisso, mas fui operoso ao tentar cuidar da  pa  ciente, tentar lhe dar ânimo, coragem, mentir descaradamente dizendo que ela voltaria a ser o que era, que ficaria boa. Dizer  que deixaria de tomar remédios diários, de fazer exames todo mês, de receber quimioterapia, que deixaria de se sentir mal, de ter  dores diariamente por todo corpo.

                 E ainda me criticam por não crer num "Deus de bondade", que cuida de seus filhos. Sueli nunca teve felicidade  plena,  jamais ficou inteiramente feliz. Quando adoeceu, soube também que isso jamais aconteceria. E eu também. A partir de sua doença  eu soube que nunca mais a felicidade bateria à minha porta. Ela definharia no fim, e eu a perderia. Que felicidade poderia advir de   pois disso?

                 Sábado horrível. Fim de semana triste, como todos os outros. Vontade de me deitar e nunca mais acordar.

                  Tivesse eu plena certeza de uma vida além dessa, eu não estaria mais aqui.

                        Fevereiro 2009

                       Chegamos a fevereiro. O mês fatídico. Daqui a pouco será dia 10. Eu lembrarei de tudo novamente. Nunca perdi a saudade que mora comigo. Foi no dia 10 de fevereiro. Ano 2006. Demos nosso último passeio de carro. "Olha a calçada" eu dizia tentando fazê-la sair do torpor em que se encontrava. Acho que você voltou o rosto para aquele lado, nunca saberei ao certo. Sua mão parece ter saído do lado do corpo para o colo. Não estou certo. Mas sei que você ainda vivia, naqueles momentos.

                         Ouço agora no alto-falante do micro, a música de nossa época de namoro: "Fim de noite". É triste, muito triste. Era a música que embalava nossos encontros depois da aula.

                    Ainda estou aqui e espero ver você saindo do quarto para o banheiro. Depois indo tomar café com seu primeiro cigarro. Depois o telefonema para minha irmã, que você sempre costumava dar.  Continuo sabendo que a vida terminou naquele escuro dia 10 de fevereiro de 2006. Depois, nada mais tive de bom na vida. Vivi e vivo porque meus filhos precisam de mim, pois nada mais me prende ao mundo terreno.

                      E assim, sigo em frente, esperando, esperando. Meu prazer é um bom filme, uma boa música. A paciência para a leitura se foi. Queria dormir e não mais acordar, mas penso nas crianças. Como ficarão os dois?

                      Tenho que ficar enquanto puder, enquanto precisarem de mim.

 

                          06 Mai 2009.

                           Foi-se o natal, foi-se o carnaval. Passou também o aniversário dela, em 1º de  março.

                           Eu continuo aqui, sofrendo sua falta. Outro dia vi um documentário sobre o Ayrton Senna e chorei copiosamente. Comecei a lembrar que embora ela não ligasse para corridas de Fórmula UM, víamos com prazer as proezas do piloto.

                           Sei que já disse isso, mas eu pensei que fosse ficar mais fácil, com o tempo. Não ficou.

                           Gostaria de dormir e não mais acordar. Pequenos detalhes machucam o tempo todo. Converso, rio, com as pessoas, e sei que elas pensam erroneamente, que eu não ligo mais, não penso mais. Qual o quê. Eu apenas disfarço bem.  

                            Essa casa, nossa casa, precisa de consertos, reparos. Mas não consigo me interessar por isso. Ela não está aqui pra ver nada que eu fizer, então, pra que fazer?

                            Queria dormir e não acordar. Mas e minha filha, como fica? E meu filho? Como ajudá-los nessa complicada vida?

                                          Preciso permanecer...

 

                                   31 de julho de 2009.

                                 Não preciso dizer o quanto está feio o tempo. Nuvens carregadas deslizam pelo céu cinzento. Desnecessário dizer como eu fico nessas ocasiões. Também desnecessário informar que não tenho como dividir essa saudade. Ainda penso nela ao comprar batatas. Fico tentando lembrar como ela as queria, se pequenas ou  grandes.

                                  O pedreiro esteve aqui hoje. Nunca em nossa vida estive tão bem financeiramente. Posso contratar os serviços, comprar o material, agendar outros serviços, sem que isso afete o orçamento de algum modo. E fico lamentando que, quando ela estava aqui, vivíamos em dificuldade, economizando, preocupados com as crianças.

                                  Por que, num tempo de bonança, ela não está mais aqui para desfrutar disso? Faço comentários com a empregada e depois me dou conta de que não devia fazê-lo, mas o faço pela falta de alguém que saiba das coisas da casa e com quem eu possa fazer comentários.

                                           Estou melhorando o aspecto da casa, na verdade, não sei por quê. Ter algo com que me preocupar? Talvez. Talvez tendo algum movimento por aqui, eu pare de ficar me lembrando do quanto era bom ouvir as reclamações dela sobre esse ou aquele aspecto de nosso lar. Mas ela não reclamava, lamentava, o que é diferente. Me pediu pra trocar a porta da sala. Devo isso a ela até hoje. Vou colocar uma porta nova e ela não vai ver. De que adianta? 

 

                                27 de novembro de 2009.

                          Os dias passam e para mim, não parecem fazer qualquer sentido. Acordar, viver, dormir, se constituem na mesma coisa pra mim. Minha filha não pretende se casar nem ter filhos. Vai se dedicar à sua profissão. Meu filho, segue levando as pancadas da vida. Não se casará tão cedo e os filhos talvez venham mais tarde. Ou nunca. Parece que minha prole vai parar por aqui mesmo.

                           Não há novidades no front, a não ser as tristes lembranças que tenho dela. E o tempo demora a passar e meu tempo demora a se acabar. Fazer o quê? Esperar, esperar.

              

                                 18 de janeiro de 2010.

                                Começamos mais um ano sem novidades no front. Ah, sim, tem o muro. Durante muitos, muitos anos, nosso muro era coberto por uma hera verdejante. De vez em quando nós tirávamos o excesso, mas ela voltava a crescer. E estava ficando uma coisa feia. Por isso resolvi tirar tudo que havia na parte externa do muro e colocar uma cerâmica, imitando tijolos, na cor ocre. Ficou muito bom. Procurei e achei os algarismos do número da casa, grandes e dourados, colocados um pouco afastados da parede. Troquei a campainha por uma sem fio. Agora vou aplicar massa corrida e depois pintar. O muro agora é coberto por peças de mármore branco. O portão é coberto por uma pequena laje e a caixa de correios é nova e moderna.  

                           Só não consigo imaginar qual cor ela gostaria. Ela que sempre opinou em tudo que fizemos na casa. Será um dilema escolher a cor. E é uma tristeza constatar que ela não verá o nosso muro, totalmente remodelado.

                           Não vejo qualquer sentido na vida que levo. Fiz o muro talvez tentando me animar, entretanto, não funcionou. Filmes na TV já vi todos. E a maioria é intragável.

                           Enfim, seguimos em frente até que tudo acabe.  

                    

                                      Chegou abril de 2010.

                               Lá se foi o dia 10 de fevereiro de 2006, quando Sueli nos deixou. Foi também o carnaval e a Beija-flor  não levou o prêmio de melhor escola. E assim o tempo vai passando. Minha tristeza só faz aumentar. Minha solidão é imensa, como se nada mais existisse no mundo pra mim. É um vazio que beira a depressão, contra a qual eu luto ferozmente.

                               Converso apenas com minha filha. Único contato que tenho com o mundo real. E o que converso com ela é claro, nunca envolve minha esposa e mãe dela.

                                Falar mais o quê? O que mais posso dizer?

 

                                          Estamos em 16 de julho de 2010.

                                  Vida que segue. A Copa do Mundo de Futebol terminou. Embora ela nada entendesse de futebol, me fazia companhia assistindo aos jogos. Claro que mal olhava para a TV, ficava apenas fazendo seu crochê, seu tricô, seus bordados. Mas estava ali, perto de mim, sempre pronta a dar um murmúrio, à guisa de comentário. Isso também faz falta.

                                    Hoje quando vejo os jogos, o faço sozinho. O mesmo pra tudo que a TV mostra. E eu gosto assim. Ou com ela ou sozinho.

                                    Infelizmente, as coisas que me a lembram continuam a existir. E qualquer mudança na casa, interna ou externa, me conduz à lembrança dela.

                                    Notei também que continuo muito frágil. Qualquer coisa me emociona. Filmes, cachorros magros andando na rua, crianças tristes, pobres. As músicas são um caso à parte.

                                      Eu já disse isso, mas ela não fazia parte do meu universo musical. Minhas músicas estão lá longe, nas décadas de 50, 60 e até um pouco de 70.  Ainda assim, muitas músicas que ouço me levam a ela.

                                      Ontem fui ao Parque da Paz, onde ela repousa. Não visitei seu jazigo. Não creio que isso faça qualquer sentido. Ela morreu, acabou. O que está ali não é ela.

                                                  Novembro, 06, 2010

                                                  Passo os dias sozinho, vendo TV ou no computador. São os amigos que tenho, de verdade. Também, não sou boa companhia. Tenho que me forçar a mostrar interesse quando falam comigo. Tenho que rir mesmo sem ter vontade de fazer isso. Mais: tenho chorado muito quando estou numa casa triste e vazia. No fim de outubro morreu  uma amiga dela, a Emília, com a qual ela passava o dia, na feirinha, na praça de Alcântara. Doloroso.

                                        E assim a vida segue. Insípida. 

 

                                                           Janeiro, 19, 2011.

                                                Em mais alguns dias, estarei contando 5 anos desde que ela se foi. A cada dia fica mais distante o tempo em que sua presença alegre, esperançosa e radiante se fazia notar. Ainda hoje, passado tanto tempo, sinto sua presença em nossa casa. Ainda penso ouvi-la falando em algum canto do nosso lar. Muitas vezes ouço ao longe um vozerio e parece que posso identificar sua voz em em meio ao burburinho. Apenas impressão.

                                                 O tempo que passa nos coloca a todos mais distantes das pessoas e fatos que ficaram para trás, mas isso não quer dizer que sua sua lembrança ficou mais dispersa. Absolutamente não. Tenho a foto dela na estante da sala, onde passo a maior parte do meu tempo e vê-la ali me transporta aos anos difíceis que vivermos juntos. Cada minuto de sua dor por saber da doença, cada tratamento, aplicação, exame, tudo me vem à mente com força e nitidez. Não foi fácil pra mim conviver com aquilo, mas eu de bom grado passaria por aquilo novamente, só pelo fato de que ela estava lá. Era bom poder tocar em suas mãos,  mas olhar em seus olhos amendoados, me pedindo socorro, era doloroso. Era bom abraçá-la carinhosamente e mostrar que eu estava ali, ao seu lado, para tudo, mas era difícil não poder dizer palavras que a tranquilizassem para tudo que ela teria que enfrentar.

                                                 Quando eu sabia que o fim estava próximo, ela ainda resistia e tinha esperanças. Somente na semana de sua morte ela teve consciência de que tudo estava acabando e me perguntou, olhar perdido no tapete da sala: "eu vou morrer, não vou?" - num dos poucos momentos de lucidez que notei nela naqueles dias. O que responder? Mentir? Eu disse que ela precisava comer alguma coisa, qualquer coisa, porque não era possível ficar todo o mês de janeiro sem uma alimentação decente. Foi o que eu pude dizer.

                                                 No próximo 10 de fevereiro se completarão cinco anos desde que a perdi. Gostaria de envelhecer com ela ao meu lado. Mesmo com as dificuldades todas que enfrentamos para cuidar dos filhos, da casa, de nós.

                                                 Eu a mantenho guardada e preservada em meu coração, não importa o tempo que passe e nunca ninguém tomará seu lugar na minha vida, no meu pensamento. Ficaremos sempre juntos e, se houver uma outra vida num outro lugar,  nos encontraremos e conversaremos muito sobre as coisas que ainda não pudermos falar. Ainda tenho perguntas a fazer e novidades para contar, como as modificações na casa, o novo carro, a carreira de nosso filho e as atividades da nossa filha. Tanta coisa que eu gostaria de estar agora contando a ela...      

                                                 Felizmente tenho esse cantinho só nosso, para desabafar minha dor, sem ter que falar com pessoas de fora de nosso relacionamento. Felizmente.

      Julho, 02, 2011.

      Semana passada fui a um aniversário e lá, ouvi com dor no coração, as velhas músicas das festas de São João/São Pedro, que tanto embalaram meu romance com Sueli. Foram momentos de sofrimento, unidos a boas lembranças daquela época hoje tão distante. Naquelas festas, trocávamos olhares e sorrisos, cheios de ternura e promessas.  São lembranças boas e más ao mesmo  tem    po e me fazem bem e mal  igualmente. São períodos difíceis de atravessar, como o natal e o carnaval. No natal nos esmerávamos, mesmo sem esperar visitas, pra fazer o melhor, e no  carnaval mesmo eu detestando a festa, via a alegria e a torcida dela pela Beija-Flor. Eu sei que já disse isso, mas eu gostaria mais do que tudo, de ter podido envelhecer com ela. Nos arrastaríamos pela vida toda tentando sobreviver, mas faríamos isso juntos.

       Nem faz muito sentido, mas muitas vezes, no meio de um filme na TV,  fico procurando a foto dela na estante. Depois de vê-la, dela me sorrir através do vidro, eu continuo a ver o que estava vendo. Coisa de maluco, eu sei. Mas dá um certo conforto saber que ela está ali, tomando conta de mim, de algum modo.

       Parece que foi ontem, lembro todos os momentos do seu último dia conosco, e parece que foi ontem ...

 

                  Outubro, 12, 2011

               Dia das crianças. Dia nublado. Dia triste, como tantos outros. Nesse dia dávamos presentes para Vanessa e Ricardo. O silêncio que nos abraça hoje é típico dos dias em que os pais levam seus filhos para os passeios disponíveis. Quando dava, também o fazíamos. Eram épocas de vacas magras. Nem sempre era possível um gasto extra.

               Logo o dia terminará e voltaremos à rotina. Solidão, reclusão, tristeza. Passados tantos anos e ainda sinto falta dela. Muita falta. 

 

                     Novembro, 13, 2011 (é um domingo)

                     Como eu disse antes, há dias ruins e dias piores. Hoje é um péssimo dia. Não chove, mas o tempo está nublado, escuro, triste e silencioso. Os vizinhos não estão ouvindo seus pagodes e a rua está quieta. Cadê as crianças gritando e correndo?

                 Parece que tudo colabora para emoldurar o que sinto. Uma ausência viva, sentida. É possível imaginá-la fazendo mil coisas pela casa, agitando o almoço, terminando um trabalho de artesanato ou simplesmente se fazendo de invisível, na área de serviço.

                  É um daqueles dias para os quais não há remédio. Devo esperar que ele termine e que a segunda-feira traga alguma atividade que limpe meu pensamento.

                  Eu até gostaria, mas não dá pra explicar o que sinto. Falta alguma coisa. Falta ela no cotidiano. Mesmo quieta, invisível, eu sabia que ela estava por ali.

                  Mais um dia sem gosto, sem cor, sem sol e calor...

            19 Mai 2013

             Faz um tempo, com dor e saudade, nos despedimos de minha mãe (05 Mai). Agora, fiquei sem as duas mulheres que me nortearam a vida e sem elas o mundo ficou menor. Claro, tem os filhos, que amenizam a perda de minha mãe. Mas sempre lembrarei com dor no coração a partida  de ambas. Foram muitos anos de convivência.

              E a vida segue, sem sal, sem sabor.

 

               No dia 05 de janeiro de 2015 baixo ao hospital. Farei uma cirurgia de alto risco (tenho, descobri outro dia, um aneurisma da aorta abdominal). É uma cirurgia de altíssimo risco, considerando a idade. Pontos a favor contam o fato de eu não fumar e ter uma alimentação saudável. Gostaria de não partir ainda, mas quem sabe? A vida é vazia e meus filhos se empenham em me manter ativo e alerta, mas o desânimo é total, a falta de objetivos a alcançar é notável e a falta que me faz minha cara metade é muito grande e sempre será. Saio pela manhã e percorro 500 metros de carro pra não ter que andar até a padaria. Pra que me exercitar? Me apego à músicas que me conduzem a um passado riquíssimo de felicidade e aventuras. Isso é o que me consola, além da existência dos filhos. 

 

          29 mar 2015

          Realizei a cirurgia no dia 08 jan 2015 e hoje estou recuperado. Meu humor não melhorou e hoje, 29 Março é a data em que me casei. Então, continuo por aqui.

          Ela continua habitando meus pensamentos e as lembranças são o melhor que tenho.

         15 jun 2016

          As lembranças rondam de forma persistente minha mente. Tento pensar em outras coisas, mas a lembrança de minha convivência com ela insiste em permanecer por aqui. São as coisas da casa, coisas sem importância como portas, janelas, paredes, tudo construído com a presença dela. Talvez por isso seja tão difícil dissociar sua presença na sala, no quarto ou na cozinha, do cotidiano. Ainda bem que, pelas minhas contas, falta pouco para que eu me junte a ela no infinito universo. Esse velho coração não tem prazo de validade muito dilatado. E ele vem dando sinais.


 

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