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1954
Chegando em Alcântara, antes de cruzar
uma enorme ponte de ferro pintada em preto, o bonde vinha pela direita e
olhando para a esquerda, do outro lado da rua, via-se a Eletroquímica, uma
enorme construção toda pintada de azul e que ocupava toda a área onde hoje
se erguem edifícios do aglomerado conhecido como "Alcântara Um". Não sei
exatamente que produtos químicos eram produzidos ali.
Embora a construção se
erguesse bem junto aos muros, estes eram bastante altos para impedir a visão
do interior. No portão principal, sempre fechado, havia uma pequena entrada
para os funcionários. Tudo parecia muito misterioso, principalmente na mente
de uma criança de 10, 12 anos.
No bonde, chegando
ao Alcântara e olhando para a direita, via-se um muro cercando um grande
terreno onde se erguia uma pequena montanha de pedra e sobre ela, um casario
do qual se podia divisar uma cerca de metal, que devia estar circundando uma
quadra de esportes. Presumia-se que ali moravam os proprietários da
indústria química.
Pode-se
definir a extensão do lugar, informando que no mesmo local hoje, vemos o
prédio da Caixa Econômica federal (ali se localizava uma repartição do DNER
- um depósito de máquina e veículos), o ITAÚ. o Banco do Brasil e um
conjunto residencial da Marinha, tudo construído ao sopé e em torno do
monte.
O bonde
quase sempre trazia um reboque chamada de "bagageiro", pois embora tivesse
bancos à frente e atrás, o centro do veículo ficava vazio, para que ali
fossem colocados embrulhos, pacotes e cestos (jacás), ou mesmo cachos de
banana. pois o comércio local utilizava os bondes para transferir
mercadorias entre Alcântara, São Gonçalo, Barreto e Niterói, passando ainda
por Neves e Paraíso. Alcântara era conhecido como "Rodo de Alcântara", assim
como São Gonçalo era chamada de "Rodo", simplesmente.
Assim, quando alguém dizia: "vou ao Rodo". estava indo a São Gonçalo. O
termo se refere ao fato dos bondes realizarem um círculo quando chegavam ao
centro da cidade, retomando o trajeto para retornar. Na época não havia
pavimentação, o local era todo de terra batida vermelha e quando chovia, os
bondes ficavam extremamente sujos. pois todos limpavam os sapatos nos
estribos (espécie de degraus de madeira para embarque no bonde).
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