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O século XIX começa realmente com a proclamação de Napoleão como imperador da França (1804) e termina com a Conferência Internacional de Haia(1899). Entre essas duas datas ocorreram eventos importantes naquele século, na Europa e no mundo. Mas o que nos interessa mesmo é o que ocorreu com "Vovó Rosa"... Numa data ainda não bem definida, localizada na segunda metade do século XIX e por razões por enquanto não sabidas, (política, epidemias, aventura), "Vovó Rosa" e seu marido saíram abruptamente da Itália com destino ao Brasil. Rosa Baijane Baroni e seu marido Alexandre Baroni, tendo ao colo seu filho Guilherme Baroni embarcaram como clandestinos num navio que se dirigia ao Brasil e se esconderam no porão. Descobertos mais tarde, foram postos a trabalhar, ela ajudando na cozinha e ele na faxina. A criança ficou no porão e Rosa, sempre que tinha um tempinho, fugia até lá para amamentar seu filho. Segundo contou mais tarde, Guilherme tinha piolhos até nas sobrancelhas. Felizmente a viagem ocorreu sem maiores incidentes e acabaram aportando no Brasil. Pode-se supor sem medo que isso se deu no fim do século, época em que devem ter chegado por aqui. De andança em andança, se viram numa encruzilhada onde se podia ler o nome de duas cidades. Deviam escolher uma das duas como seu destino e sem dúvida escolheram por Pádua. Quem sabe encontrariam ali imigrantes como eles, com os quais conversariam sobre a terra natal? Por sorte, na cidade conseguiram emprego. Ele foi ajudar na feitura e conserto de tachos de cobre e ela, ajudava uma senhora na cozinha. Esperta, nas horas vagas fazia e vendia doces na rua. Economizando aqui e ali, acabaram como proprietários de um pequeno bar e sua vida seguiu assim. E Guilherme se tornou importante. Foto do Guilherme . "Vovó Rosa", além do filho Guilherme, único nascido na Itália, teve ainda mais sete belas filhas: Otília, Brasília, Elvira, Olinda, Pepina, Itália e Paulina. Aqui estão eles. Otília veio a ser minha avó materna. Paulina era a única viva do grupo mas faleceu em janeiro de 2007. Manteve a lucidez até os momentos finais e chegou aos 101 anos de idade. Minha avó, Otília, se casou com um nativo, Benedito Pereira Leite, autônomo açougueiro, sempre chamado para matar e preparar cabritos e porcos. Otília e Benedito tiveram coincidentemente, sete filhas: Dolores, Clarice, Joel, Gilberto, Maria, Yolanda e Dagmar. Desse grupo morreram Yolanda, Dolores, Maria, Dagmar e Gilberto. Cada um deles constituiu família cujos descendentes estão espalhados por esse vasto Rio de Janeiro. Então, restringindo as outras famílias ... Clarice casou-se com um radiotelegrafista dos Correios chamado Álvaro e tiveram dois filhos: Clarival e Alvarice. Observem que os nomes são aglutinações. Clarice + Álvaro deram "Clarival" e Álvaro + Clarice, deram "Alvarice". Minha mãe teve mais um filho que morreu um mês após nascer. Se chamaria Alevato, que se origina de Aleward, que significa... Álvaro! Meu pai morreu quando eu tinha apenas três anos e minha irmã dois. Creio que a figura paterna me fez falta. Meu pai era um homem inteligente e espirituoso, a prova disso é que exercia uma função que hoje seria equivalente a um programador ou operador de computador: radiotelegrafista. O nome que pretendeu dar ao meu irmão que morreu mostra seu conhecimento e interesse em deixar sua marca para a posteridade. Além disso, quando eu batia com a cabeça na parede ele mandava que eu repetisse o ato e eu o fazia, sempre chorando, até que me convencia que não devia fazer aquilo porque doía. Era o modo dele ensinar. E eu aprendia. Não me lembro disso, mas me contaram mais tarde. Minha infância até os sete anos foi passada em Sto Antonio de Pádua e por insistência dos outros irmãos, minha mãe acabou se mudando para o bairro de Campo Grande, subúrbio do Rio de Janeiro, onde passamos a morar com a irmã dela, Yolanda. A essa altura minha mãe era jovem, bonita e viúva. Logo surgiu alguém. Meu padrasto, Orlando, viveu conosco até sua morte aos 90 anos de idade. Em Campo Grande nada aconteceu de relevante. Parece que meu aprendizado só ocorreu realmente quando nos mudamos para Niterói. Vovó Otília, vovô Benedito, minha mãe Clarice e nós, eu e minha irmã. A essa altura os irmãos se espalhavam por todo o Rio de Janeiro, embora alguns ficassem bem próximos de nós. Alcântara, em São Gonçalo, era naquela época uma zona quase rural e um vasto campo para o aprendizado. Eu saía pela manhã com os colegas e só voltava bem tarde, depois de muitas estripulias, longas caminhadas e descobertas. À noite havia romance com meninas mais velhas que eu, mas logo conheci minha futura esposa e depois de muitas idas e vindas, acabamos juntos e com dois filhos. Nos separamos depois de 47 anos (namoro, noivado e casamento) de muitas alegrias e de algumas dificuldades. Ela faleceu em 10 fevereiro de 2006, depois de lutarmos 16 anos contra o câncer que ela contraiu. Para saber mais sobre ela, clique aqui. E para ver minha biografia resumida clique aqui |